Visitor From Down Under
O texto A Visitor From Down Under, da autoria de L.P. Hartley, insere-se no género do Fantástico. No género Fantástico acontecem fenómenos que não compreendemos mas que aceitamos sem colocar a questão da verosímil. Neste género temos um mundo fantástico que conhecemos como nosso em surgem acontecimentos que não são explicáveis pela ciência e/ou leia da razão. No Fantástico há uma interrogação e hesitação entre a explicação racional/ científica e a explicação natural para os fenómenos. Todorov afirma que o texto fantástico tem que obrigar o leitor a considerar o mundo fantástico como representação do mundo real. Ao longo da história surgem várias características pertencentes a este género, as quais irei referir ao longo desta análise. O título remete para a ideia de regresso de alguém, já morto vindo, do “Down Under” que possivelmente é o mundo do além, um mundo após a morte. Logo de início, a caracterização do tempo meteorológico “A foggy evening”; “a wet evening...” é típica de um espaço misterioso ou até de um filme de terror. Esta caracterização remete também para a zona em que se desenrola a acção: Londres. O c
Neste tipo de contos o que se problematiza, muito mais que os fantasmas é a alma e a consciência humana. Tanto no July Ghost como nesta história, há uma problematização dessa consciência humana. No texto que foi dado na aula a consciência da mãe que tinha perdido o filho é que problematizava, enquanto nesta história é a de Mr. Rumbold. O seu passado e as suas acções do passado estão a perseguí-lo no presente e afectam o desenlace da narrativa. O facto de ele ter morto alguém no passado, que é o sujeito estranho/fantasma, leva a vítima a regressar para o mundo dos vivos para se vingar de Mr. Rumbold, matando-o. Segue-se, mais uma vez, a referência a acções absolutamente normais, em que Mr. Rumbold se encontra no Hotel bebendo e conversando com o servente Clutsam. De repente iniciam uma conversa, aparentemente vulgar, mas que mais tarde se apresenta como uma espécie de investigação por parte do Clutsam em relação a acções passadas de Mr. Rumbold. Há uma fala de Clutsam em que parece que ele está a culpar Mr. Rumbold por homicídio: “Of course I don’t mean you, sir, I only say you as – as an illustration to make my meaning clear...”(p.180), revelando um tom irónico. Estas falas, tal como as que se seguem provocam um pressentimento de que Mr. Rumbold fez algo de errado no seu passado de que o empregado sabe. Clutsam refere-se também à vítima do crime quando questiona a vingança da mesma: “..in that case he’d have to get you himself. He wouldn’t rest in his grave...” (p.181), transmitindo a ideia de que ele conhece a vítima. A interrogação por parte de Mr. Rumbold, quando este afirma que o vinho está morto revela um tom de choque, como se estivesse nervoso ao ouvir esta palavra. Esta situação cria a suspeita de que talvez Mr. Rumbold tenha cometido o crime de homicídio e que está com receio que Clutsam saiba isso. O Uncanny está presente na existência do fantasma. Este ser é estranho para nós, mas é simultaneamente familiar. O fantasma é familiar devido à existência de outros como este noutros textos. As suas características poderão ser, anormais, mas também existem noutros fantasmas que já conhecemos de outros textos. Passa-se então à descrição de um acontecimento anterior a este, mas que ocorreu no mesmo sítio (Carrick Street): a chegada de Mr. Rumbold ao hotel. É um pouco confuso a relação das duas ocorrências, mas só mais tarde é que a associação das duas é explicada, ou pelo menos compreendida. Surgem-nos então ocorrências completamente normais, a descrição do dia à dia, as quais se revelam pertencentes a um mundo verosímil, que conhecemos como nosso. Porém ao longo desta descrição surgem, não se sabe exactamente de onde, umas vozes que Mr. Rumbold ouve. Elas ocorrem de forma inexplicável, já que a sala onde ele se encontra está vazia. Na fala da voz em que diz: “A Children’s Party...” (p.176) nota-se o fantástico. Este é um evento verosímil, o qual conhecemos, mas que surge inexplicavelmente. Começam então a suceder, no meio das conversas entre as vozes, referências à violência: “...broken by the muttered exhortation of a little girl...” ; “I won’t hurt you...” ; “I’ve got a cannon” ; “I want to shoot Jimmy” (p.176) que perturbam a personagem Mr. Rumbold, e a nós leitores. Regressa de novo a hesitação clara por parte dele entre a explicação científica e a explicação natural: “Was it imagination, or did he hear, above the confused medley sound a tiny click?” (p.176) nesta frase, há também a possível existência de um mundo sobrenatural que remete para o passado, e reflecte também as vivências de Mr. Rumbold, que nesta altura vive intensamente os jogos. Há então duas explicações para a existência das vozes, uma racional e outra sobr
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